# Proposição 2

Na casa de Deus, há sempre a mesa do Senhor.

Assim como há um paralelo entre o lugar santo judaico e a casa de Deus cristã, também há um paralelo entre os móveis do primeiro tabernáculo ou lugar santo e aqueles que serviam nele, e os móveis da casa de Deus cristã e aqueles que servem nela. “No primeiro tabernáculo,” disse Paulo, “que é chamado santo, havia o candelabro, a mesa e os pães da proposição,” ou os pães da presença. Na mesa de ouro, a cada sábado eram colocados doze pães, que ficavam expostos ali por uma semana, e no sábado seguinte eram substituídos por doze pães frescos aspergidos com incenso. Os pães retirados da mesa eram comidos pelos sacerdotes. Estes eram chamados em hebraico de “pães das faces,” ou pães da presença. Este símbolo da abundância do alimento espiritual na presença de Deus para todos que habitam no lugar santo sempre esteve sobre a mesa de ouro provida pelas doze tribos, mesmo no deserto. A luz no primeiro tabernáculo não vinha de fora, mas das sete lâmpadas colocadas no candelabro de ouro; simbolizando a luz perfeita não derivada deste mundo, que é desfrutada na casa de Deus.

Se, então, na casa simbólica de Deus, que corresponde à casa de Deus cristã, havia não apenas uma mesa revestida de ouro, sempre posta, e sobre ela expostos doze grandes pães ou bolos, memoriais sagrados e símbolos da generosidade e graça de Deus; diremos que naquela casa, sobre a qual Jesus é o Filho, não há sempre uma mesa mais preciosa que ouro, coberta com um banquete mais rico para o sacerdócio santo e real que o Senhor estabeleceu, que pode sempre entrar no lugar santo consagrado por Ele mesmo?

Mas não dependemos de analogias ou inferências forçadas para provar este ponto. Paulo, que compreendia plenamente tanto as instituições judaicas quanto as cristãs, nos diz que há no templo cristão uma mesa, apropriadamente chamada de Mesa do Senhor, como parte de seu mobiliário. Ele adverte aqueles que estavam em perigo de se contaminarem com a idolatria “que não podiam participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.”7 Em todas as suas referências a essa mesa neste contexto, ele a apresenta como continuamente acessada por aqueles na casa do Senhor. “O cálice do Senhor” e “o pão,” pelos quais graças eram continuamente dadas, são os móveis dessa mesa, à qual a comunidade cristã tem livre acesso.

O apóstolo Paulo lembra os santos em Corinto da familiaridade deles com a mesa do Senhor, falando dela como algo tão comum quanto as reuniões da irmandade. “O cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão no sangue de Cristo? O pão que partimos, não é a comunhão no corpo de Cristo?” Dessa forma, falamos de coisas comuns e usuais, nunca de coisas incomuns ou extraordinárias. Não é o cálice que recebemos com ações de graças; nem o pão que partimos; mas que partimos. Mas tudo o que pretendemos mostrar aqui já foi realizado; pois foi demonstrado que na casa do Senhor há sempre a mesa do Senhor. Quase não é necessário acrescentar que, se foi mostrado que na casa do Senhor há a mesa do Senhor como parte do mobiliário, ela deve estar sempre lá, a menos que se prove que apenas algumas ocasiões requerem sua presença e outras sua ausência; ou que o Senhor é mais pobre ou mais mesquinho em um momento do que em outro; que Ele não é sempre capaz de manter uma mesa, ou que é muito avarento para providenciá-la para Seus amigos. Mas isso é antecipar nosso assunto, e prosseguimos para a terceira proposição.