# Introdução

Lutero disse que a doutrina da justificação, ou do perdão, era o teste para a sobrevivência ou o colapso de uma igreja. Se estivesse certo nisso, a igreja não poderia estar muito errada em mais nada; mas se estivesse errada aqui, seria difícil acreditar que ela estivesse certa em qualquer coisa. Cito de memória, mas essa era a ideia daquele grande reformador.¹ Concordamos com ele nisso, assim como em muitas outras opiniões. Emergindo da fumaça da grande cidade da Babilônia mística, ele viu tão claramente e tão profundamente nesses assuntos quanto qualquer um poderia em uma atmosfera tão nebulosa. Muitas de suas ideias só precisam ser levadas até sua conclusão lógica, e teríamos o evangelho antigo como resultado.

A doutrina da remissão é a doutrina da salvação: falar sobre salvação sem o conhecimento da remissão dos pecados é falar sem sentido. Dar aos judeus “o conhecimento da salvação pela remissão dos seus pecados” foi a missão de João Batista, como disse o Espírito Santo. Dessa forma, ele preparou um povo para o Senhor. Essa doutrina do perdão foi gradualmente revelada ao povo durante os ministérios de João e Jesus, mas não foi plenamente desenvolvida até o Pentecostes, quando os segredos do Reino dos Céus foram totalmente abertos às pessoas.

De Abel até a ressurreição de Jesus, os transgressores obtinham remissão no altar, por meio dos sacerdotes e ofertas pelo pecado; mas era uma remissão imperfeita no que diz respeito à consciência. “Porque a lei,” diz Paulo, (mais perfeita nesse aspecto do que o sistema anterior,) “contendo apenas uma sombra das coisas boas que haveriam de vir, e nem mesmo a forma real dessas coisas, nunca pode, com os mesmos sacrifícios que oferecem anualmente para sempre, aperfeiçoar os que se chegam a ela. Se tivesse sido oferecido uma vez, não teriam cessado? Porque os adoradores, tendo sido purificados uma vez, não teriam mais consciência de pecados.”

As coisas boas que haveriam de vir eram futuras durante o tempo de Moisés e sua instituição. Elas vieram; e uma remissão clara, completa e perfeita dos pecados é o grande resultado do novo sistema nas consciências de todos os cidadãos do reino de Jesus. A perfeição da consciência dos adoradores de Deus sob Cristo é a grande característica distintiva em comparação com aqueles sob Moisés. Eles não têm apenas visões mais claras de Deus, de seu amor, de seu caráter e da imortalidade; mas têm consciências que as eras judaica e patriarcal não puderam produzir.

Se a fé somente fosse o meio dessa superior perfeição e desfrute, e se símbolos ou tipos impressionantes fossem tudo o que fosse necessário para proporcionar essa certeza e experiência do perdão, o povo judeu poderia ter sido tão feliz quanto o povo cristão. Eles tinham testemunhos tão verdadeiros, fé tão forte e emblemas tão impressionantes quanto nós temos. Muitos deles, pela fé, alcançaram alta reputação, foram aprovados por Deus e admirados pelos homens por suas realizações maravilhosas.

A diferença está no sistema. Eles viviam sob um sistema de lei — nós sob um sistema de graça. Antes da lei, seus privilégios eram ainda mais limitados. Sob o governo do Senhor Jesus, há uma instituição para o perdão dos pecados diferente de qualquer instituição desde o começo do mundo. Foi por causa dessa instituição que os cristãos foram tão distinguidos a princípio dos súditos de todos os sistemas anteriores.

Nossa felicidade política nestes Estados Unidos deve-se a nada além de nossas instituições políticas. Se somos politicamente o povo mais feliz do mundo, é porque temos as instituições políticas mais felizes do mundo. Assim é com a instituição cristã. Se os cristãos foram, e podem ser, as pessoas mais felizes que já viveram, é porque vivem sob a instituição mais graciosa já dada ao povo. O significado dessa instituição foi enterrado sob os escombros das tradições humanas por centenas de anos. Foi perdido na idade das trevas e só recentemente redescoberto. Vários esforços foram feitos, e considerável progresso foi alcançado; mas desde que a Grande Apostasia foi completada, até a geração presente, o evangelho de Jesus Cristo não foi apresentado à humanidade em sua clareza, simplicidade e majestade originais. Um véu na leitura da Nova Instituição esteve sobre os corações dos cristãos, como Paulo diz que esteve sobre os corações dos judeus ao lerem a Antiga Instituição no final daquele sistema.

O propósito deste ensaio é abrir à consideração do leitor a instituição cristã para a remissão dos pecados; mostrar por quais meios uma pessoa pode ter a certeza de uma remissão pessoal e completa de todos os seus pecados. Tentaremos fazer isso afirmando, ilustrando e provando as seguintes doze proposições: (Veja o próximo capítulo)